Check-in digital no Brasil: o que muda para o viajante? – 05/05/2026 – Turismo

Check-in digital no Brasil: o que muda para o viajante? – 05/05/2026 – Turismo


O Ministério do Turismo tornou obrigatório que estabelecimentos hoteleiros utilizem o check-in digital. Funciona assim: em vez de pegar filas e preencher documentos no balcão dos estabelecimentos, os clientes podem usar um sistema online.

O procedimento agiliza a entrada no quarto e desafoga a recepção de hotéis, pousadas, hostels, resorts e similares. A obrigatoriedade da digitalização das informações dos hóspedes passou a valer no dia 20 de abril deste ano.

A promessa do governo é de mais agilidade e dados mais precisos sobre o turismo brasileiro. Fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, afirma que o uso do sistema diminuiu em 80% o tempo de espera dos clientes na recepção.

Mas a implementação chegou com ressalvas: o portal Gov.br concentra um histórico extenso de reclamações. Além disso, o sistema foi alvo de fake news, que precisaram ser desmentidas pela pasta.

A reportagem reuniu as principais dúvidas dos viajantes.

O QUE É E POR QUE EXISTE?

A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato digital é um sistema desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) para substituir a ficha de registro tradicional que os hotéis preenchiam em papel. A plataforma oferece funções de pré-check-in, check-in e check-out. A ideia é agilizar esses procedimentos para hóspedes e estabelecimentos.

Os meios de hospedagem já eram obrigados a enviar informações sobre os clientes desde 2008. O que mudou foi a forma: o envio passou a ser eletrônico. Além disso, o sistema elimina dados incorretos e permite gerar estatísticas em tempo real. A digitalização permite identificar de onde vêm os turistas, tanto nacionais e quanto estrangeiros, e planejar políticas públicas específicas para cada nicho ou local.

O QUE MUDA NA PRÁTICA PARA QUEM VAI SE HOSPEDAR?

Para o viajante, a principal diferença é a possibilidade de fazer o pré-check-in antes de chegar ao hotel. A hospedagem envia ao cliente um link ou QR Code (por e-mail, WhatsApp ou qualquer outro meio) que dá acesso ao canal digital. O hóspede preenche os dados e, ao chegar no local, pode dar entrada no estabelecimento sem ter que enfrentar fila e perder tempo ditando informações ao atendente.

Para grupos grandes, como excursões ou viagens corporativas, o hotel pode disponibilizar QR Codes no saguão, por exemplo, e possibilitar que vários hóspedes preencham a ficha ao mesmo tempo pelo celular.

Crianças e adolescentes menores de 18 anos não precisam de cadastro próprio. Eles devem ser incluídos como dependentes no registro do responsável legal.

No caso dos estrangeiros, o sistema disponibiliza módulos específicos em inglês e espanhol. Turistas internacionais não precisam de CPF ou acesso ao gov.br. Basta inserir dados do passaporte ou documento de identificação internacional.

COMO FUNCIONA O PRÉ-CHECK-IN?

  1. Faça a reserva normalmente no hotel.
  2. Aguarde o link ou QR Code enviado pelo estabelecimento.
  3. Acesse a plataforma pelo link recebido.
  4. Faça login com sua conta gov.br (método recomendado pelo governo), com certificado digital ou com certificado digital em nuvem.
  5. Preencha os dados solicitados
  6. Confirme o envio.
  7. Na chegada ao hotel, apresente a confirmação e retire a chave.

O sistema dispensa a assinatura física e, segundo o governo, reduz o risco de fraudes de identidade no balcão.

PRECISO TER CONTA NO GOV.BR?

Não necessariamente, mas é o caminho mais recomendado. O acesso à plataforma da FNRH pode ser feito, também, via certificado digital.

O problema é que o gov.br acumula um histórico de reclamações de usuários com dificuldades de acesso. No Reclame Aqui (maior plataforma brasileira de reputação online e solução de conflitos entre consumidores e empresas) o site traz milhares de relatos de dificuldade de acessar e usar a conta.

Em nota, o Ministério do Turismo afirmou que, em caso de instabilidade, os estabelecimentos podem registrar o hóspede manualmente. O Portal gov.br funciona como uma facilidade, mas os meios de hospedagem podem operar de forma independente.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (responsável pela criação do gov.br em parceria com o Serpro), não se manifestou.

Caso o hóspede não saiba fazer login no Portal Gov.br, é possível fazer o check-in à moda antiga. A obrigatoriedade da digitalização é para o governo e o hotel, mas a recepção pode ocorrer como antes, caso o cliente precise ou queira.

QUANTOS HOTÉIS JÁ ADERIRAM?

Até segunda-feira (4), 5.394 meios de hospedagem em todo o país já utilizavam a FNRH Digital, o que representa cerca de 28% dos 19.231 estabelecimentos ativos no Cadastur (sistema do Ministério do Turismo voltado à formalização do setor). Segundo a pasta, o processo de transição está focado em mostrar os benefícios da ferramenta. O ministério oferece orientações ao segmento desde novembro de 2025, inclusive, com uma página oficial com passo a passo.

Para hotéis e pousadas sem sistema próprio, o Serpro desenvolveu um módulo de gestão integrado à própria plataforma gov.br, sem necessidade de contratação de softwares externos.

“A proposta é garantir que a transformação digital alcance todo o setor, independentemente do porte do empreendimento, sem criar barreiras de entrada ou custos adicionais”, afirma Wilton Mota, presidente do Serpro.

O Blue Tree Hotels é um caso à parte. Chieko Aoki conta que a rede foi pioneira no check-in digital no Brasil — o sistema já existia antes da pandemia de Covid-19.”Já possuíamos toda a infraestrutura tecnológica e o caminho pronto para o usuário”, afirma. Para eles, a obrigatoriedade do governo não exigiu nenhuma mudança estrutural.

O GOVERNO VAI USAR MEUS DADOS PARA ME MONITORAR?

Essa afirmação circulou nas redes sociais e foi classificada como falsa por agências de checagem e pelo Ministério do Turismo.

A FNRH digital é, tecnicamente, a versão eletrônica de um cadastro que já existia — os dados coletados são os mesmos de antes, apenas em formato diferente. Segundo o governo, as informações são utilizadas sem identificação individual para orientar políticas públicas de turismo, como mapeamento de fluxo de visitantes e taxa de ocupação hoteleira.

O sistema opera em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“O novo sistema utiliza dados criptografados e não coleta informações sobre despesas dos hóspedes. A plataforma apenas valida o CPF indicado para confirmar a identidade do cidadão. A pasta acessa somente dados quantitativos e detalhes são obtidos mediante ordem judicial ou policial, como já ocorria”, afirmou o Ministério do Turismo em nota.



Fonte: Folha

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