Dino troca a fantasia de “Os Vingadores” pela toga | COLUNA POLÍTICA
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O ministro que mais se expôs no combate ao bolsonarismo foi indicado para o Supremo Tribunal Federal. Isso significa que o personagem de “Os Vingadores” chegará à Corte? Não exatamente. Peraí que vou te explicar.
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Na condição de ministro da Justiça foi Dino quem, de fato, mais se expôs, desde o 8 de janeiro, neste embate com o golpismo e o palco mais frequente para isso foi o Congresso Nacional, onde o bolsonarismo permanece bem representado.
Fez sucesso, nas redes sociais, com as reações irônicas, beirando o sarcasmo. Chegou até a desafiar o senador da SWAT. Agora o ministro anunciou que trocará de roupa. Deixa a fantasia de super-herói para envergar uma toga mais sóbria, “sem partido, sem ideologia e sem lado”.
Está jogando para a plateia que vai sabatiná-lo no Senado? Claro que sim. Mas é preciso entender este personagem que Dino vai assumir pra se ter uma ideia do futuro das relações entre os Poderes.
E o primeiro passo para isso é saber que sua indicação foi fruto de um acordo. Dino sempre foi o favorito para a vaga, mas o presidente Lula sabia que seu nome enfrentaria dificuldades no Senado, que aprova, ou não, as indicações ao Supremo.
Quando Lula viu a disposição do presidente do Senado de levar à frente a votação da PEC que limita os poderes monocráticos dos ministros do Supremo concluiu que havia surgido a oportunidade de negociar um acordo.
O PT em peso votou contra a PEC, para não desgostar os ministros, mas o líder o governo, Jaques Wagner, votou a favor, levando toda a bancada do seu Estado e viabilizando a aprovação da proposta.
Com isso, Rodrigo Pacheco e o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, conseguiram satisfazer a bancada bolsonarista no Senado e ficaram em bons termos com o Executivo. Até porque precisam do governo para seus projetos pessoais.
E Lula ganhou o que com isso? O apoio da dupla para viabilizar Dino na Casa. E mais: de devedor do Supremo, Lula passou a mediador das relações da Corte com o Legislativo.
A PEC seguiu para a Câmara onde ficou paradinha e os ministros, que estavam indóceis, se aquietaram porque há outros acordos em curso.
Se Lula pretende exercer este papel, Dino será um instrumento desta mediação. Não é pouco numa Corte que tem candidatos a rodo a este papel, a começar pela dupla que apoiou a indicação de Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Mas a mediação do novo ministro não poderá se limitar aos Poderes. Há uma insatisfação latente com os superpoderes do Supremo.

