Kit solar chega aos países em desenvolvimento | FT
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Para muitas pessoas no mundo em desenvolvimento, ter acesso a qualquer tipo de energia é um verdadeiro desafio. Este problema é especialmente gritante na África, onde mais de 500 milhões de pessoas não contam com energia elétrica. Mas, uma nova estrutura financeira oferece um modelo de como os investidores internacionais podem lidar com esse problema.
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Nos países ricos, o debate sobre a energia verde se concentra na substituição da energia obtida com combustíveis fósseis, que expelem carbono, por formas mais limpas de geração de energia. Mas para muitas pessoas no mundo em desenvolvimento, o verdadeiro desafio é ter acesso a energia, seja de que tipo for. Este problema é especialmente gritante na África, onde mais de 500 milhões de pessoas não contam com energia elétrica. Mas uma nova estrutura financeira oferece um modelo de como os investidores internacionais podem ajudar a resolver o problema.
A Sun King é uma empresa que fornece pequenos kits de energia solar para casas de famílias que não estão conectadas à rede elétrica. O produto básico consiste em um painel solar, uma bateria, uma tomada para carregar celulares ou outros dispositivos e uma luz elétrica. Seu valor de varejo é de US$ 110. O que é caro demais para muitas famílias no mundo em desenvolvimento. Por isso, em vez de pagar à vista, as famílias podem adquirir o kit em prestações, normalmente uma vez por semana ao longo de um ano.
O custo total para o cliente é de US$ 130. Portanto, essa é uma taxa de juros efetiva de cerca de 20%. No Quênia, a maioria paga as prestações pelo sistema de transferência de dinheiro por celular que está disseminado em todo o país. Em outros países, os pagamentos têm de ser recebidos em dinheiro vivo. Até o momento, a Sun King chegou a 5 milhões de lares em oito países africanos – no Quênia, 1 casa em cada 5 usa o kit. Mas isso ainda é apenas uma pequena fração do número de famílias que não têm acesso à energia elétrica no continente.
Agora, porém, a empresa conseguiu uma nova injeção de financiamento de investidores internacionais, graças a um acordo financeiro inovador criado por executivos do Citi. Eles implementaram um veículo de propósito específico (VPE) que tomará US$ 130 milhões emprestados de bancos internacionais e instituições financeiras de desenvolvimento. Esses US$ 130 milhões serão usados para comprar empréstimos de clientes da Sun King. E o VPE pagará os credores com juros à medida que os pagamentos dos clientes entrarem.
Nesse meio tempo, a Sun King terá uma nova parcela de capital, que usará para estender a energia solar para mais 1 milhão de residências, aproximadamente. Não é uma solução perfeita de jeito nenhum. Há montes de obstáculos em potencial nesta abordagem. Entre eles estão a dificuldade de receber pagamentos em comunidades que só usam dinheiro vivo e o limitado interesse que a maioria dos investidores internacionais tem mostrado por este tipo de esquema até agora. Mas se o modelo se mostrar eficaz, ele pode oferecer uma nova e útil ferramenta para lidar com um dos desafios mais prementes do mundo.

