A Copa do Mundo voltará a atrair os turistas para os EUA? – 16/04/2026 – Turismo

A Copa do Mundo voltará a atrair os turistas para os EUA? – 16/04/2026 – Turismo


Neste verão do hemisfério norte, a Copa do Mundo vai atrair milhões de amantes do futebol para os estádios espalhados por toda a América do Norte. Mas a capacidade do evento de corresponder às altas expectativas dos organizadores dependerá de fãs do esporte como Brett Shields e John Milce, de Nova Gales do Sul, na Austrália.

Ambos são torcedores de longa data dos Socceroos, a seleção masculina de futebol do seu país, e já estiveram em outras edições da Copa do Mundo. Mas apenas um deles planeja ir ao torneio deste ano, que será promovido de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Shields, de 59 anos, é quem vai fazer o tour futebolístico. Ele já possui a autorização de viagem necessária, obtida em visitas anteriores para ver sua filha, que reside em San Francisco. Planeja ficar hospedado com ela e assistir aos jogos dos Socceroos lá e em Seattle.

Por outro lado, Milce, de 76 anos, que já foi a seis Copas do Mundo desde 1966, ficará em casa. Ele contou que, por ter feito comentários on-line sobre as políticas do presidente Donald Trump, teme que sua entrada seja negada na fronteira em razão das verificações nas redes sociais propostas pelo governo americano e da repressão mais ampla à imigração. “Não sou um homem pobre, mas, com os custos envolvidos, seria um risco muito grande.”

Faltando menos de 60 dias para o pontapé inicial da primeira partida, os líderes do turismo e da hotelaria nas 11 cidades-sede dos EUA estão acompanhando de perto o movimento dos torcedores internacionais. Os Estados Unidos foram a única nação importante a registrar um declínio no turismo internacional em 2025, e os sinais de enfraquecimento da demanda têm causado grande ansiedade no setor.

A empresa de pesquisa Tourism Economics projeta que mais de 1,2 milhão de visitantes internacionais viajarão aos EUA para a Copa do Mundo. Isso inclui quase 750 mil que, de outra forma, não teriam vindo, o que representa um aumento de aproximadamente 1,1% nas chegadas internacionais.

Ainda assim, a empresa revisou para baixo, neste mês, sua projeção de recuperação da queda no número de turistas registrada no ano passado. Pesam contra essa retomada as restrições de visto, o receio quanto à atuação dos agentes de imigração —inclusive durante as partidas da Copa do Mundo—, o aumento das revistas de celulares nas fronteiras e, para os torcedores, os custos elevados de ingressos e transporte para os jogos. Essas são apenas algumas das barreiras que afastam o público.

Shields disse que, se já não tivesse a autorização de viagem e hospedagem gratuita, “provavelmente eu não viajaria para a Copa do Mundo no clima atual”.

Preocupações com a segurança e proibições de viagem

A Copa do Mundo, que atraiu 3,4 milhões de espectadores no Qatar em 2022, é um grande sucesso por definição, e os organizadores esperam que a maior parte das reservas, tanto nacionais quanto internacionais, seja feita nos dois últimos meses anteriores ao início dos jogos.

A Associação de Viagens dos Estados Unidos afirmou este mês que a Copa do Mundo tem “potencial extraordinário para gerar ganhos econômicos significativos” no país inteiro, mas acrescentou que “preocupações com a segurança, a percepção das políticas restritivas e barreiras à entrada podem limitar a capacidade dos EUA de aproveitar plenamente a oportunidade”.

Michael Woody, diretor de engajamento da Visit Seattle, informou que, nessa cidade, o número esperado de visitantes nacionais para a Copa do Mundo cresceu 30% desde 2024. Ao mesmo tempo, o número previsto de visitantes internacionais caiu 17%, impulsionado por uma queda particularmente acentuada no número de canadenses.

Torcedores procedentes do Haiti e do Irã, que constam de uma lista de 19 países cujos cidadãos foram proibidos por Trump de entrar nos Estados Unidos, não poderão assistir às partidas da fase de grupos de sua seleção. Torcedores de potências do futebol como a Costa do Marfim e o Senegal, entre as 14 nações africanas cujos cidadãos enfrentam restrições rigorosas de visto, podem ser obrigados a pagar uma fiança de até US$ 15 mil para entrar no país.

Apostando nas reservas de última hora

As cidades-sede dos EUA estão depositando suas esperanças nos viajantes de última hora. Zane Harrington, porta-voz da Visit Dallas, espera que “a maioria” dos torcedores que se dirigem à cidade reserve sua estada nos dois meses que faltam para o início do torneio — ou mesmo durante o campeonato, à medida que as seleções avançarem da fase de grupos.

Segundo Martha Sheridan, diretora-executiva da Meet Boston, organização de marketing e turismo da cidade, a venda dos ingressos para as sete partidas no Gillette Stadium foi “robusta” e se dividiu aproximadamente em três partes: moradores da Nova Inglaterra, visitantes nacionais do resto da nação e viajantes internacionais.

Ela também afirmou que a demanda por hotéis em Boston no mês de junho cresceu cerca de 11% em comparação com o mesmo período do ano passado, acrescentando que esse aumento foi menor do que o esperado por sua equipe quando o planejamento começou em 2024. No entanto, mostrou-se “muito otimista” de que as reservas continuarão a subir nas próximas semanas.

Por sua vez, a Fifa liberou, nas últimas semanas, blocos de milhares de quartos de hotel que estavam retidos, para o período da Copa, nos três países-sede. Ao mesmo tempo, os comitês organizadores locais reduziram as festas organizadas para fãs em cidades como Nova Jersey, San Francisco e Seattle, o que alimentou discussões sobre se a demanda, de fato, está abaixo das expectativas.

Mas Jamie Lane, economista-chefe e vice-presidente sênior de análise da AirDNA, empresa que coleta e analisa dados de aluguéis de curta duração, disse que, entre os anfitriões de grandes eventos, é uma prática comum reduzir o número de quartos à medida que fazem os preparativos finais para a contratação de pessoal e fecham patrocínios, e que as mudanças não são um sinal de demanda fraca.

Um porta-voz da Fifa declarou que as mudanças nas festas de torcedores não foram feitas em resposta à demanda, observando que alguns dos eventos agora serão promovidos em vários bairros, e não em um grande lugar central.

Um evento maior e menos previsível

Dados publicados este mês pela AirDNA mostram um aumento nas reservas de aluguéis de curta duração, em graus variados, em todas as cidades-sede. As reservas nos dias de jogos da fase de grupos tiveram o maior aumento em Monterrey, no México, subindo 564%, em média, em comparação com as mesmas datas do ano passado.

As reservas aumentaram 209% na Cidade do México, 171% em Kansas City, 152% em Miami e 52% em Toronto, de acordo com a AirDNA.

Uma série de fatores influencia esses números; entre eles, quais times estão competindo e até que ponto as cidades regulamentam os aluguéis de curta duração. Em São Francisco, as reservas de aluguéis de curta duração aumentaram 28% nos dias de jogos da fase de grupos. Anna Marie Presutti, diretora-executiva da Associação de Turismo de San Francisco, acredita que a demanda não atingiu todo o seu potencial porque a guerra no Irã está complicando as viagens dos torcedores da Jordânia e do Catar, dois times que jogarão lá.

Em Nova York, onde os aluguéis de curta duração são rigorosamente controlados, as reservas de hotéis durante o período da Copa do Mundo estão “mais ou menos na mesma” em comparação com o mesmo período do ano passado, informou Vijay Dandapani, diretor-executivo da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York.

Sylvia Weiler, presidente de destinos globais da Sojern, empresa de marketing e dados de viagens, comentou que a nova estrutura desta Copa do Mundo —disputada em três países e com um número recorde de 48 seleções— dificultou a previsão de como os padrões de viagem se comportariam à medida que o torneio se aproximava. “Estamos falando sobre o que era aguardado. Mas eu faria uma pequena ressalva, porque não sabemos o que esperar.”



Fonte: Folha

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